Quero neste artigo, brevemente discorrer sobre um pouco da vida do cantor jamaicano Robert Nesta Marley, e sobre sua religião o Rastafarismo. Robert Nesta nasceu em 6 de Fevereiro de 1945, em Nine Mile, norte da Jamaica, filho de uma jovem negra de 18 anos, por nome Cedella Booker e do inglês Norval Marley, um cinqüentenário, branco, capitão do regimento britânico das Índias Ocidentais, provavelmente protestante de tradição anglicana. O Capitão veio a falecer em 1955, diante do ocorrido, o pequeno Marley se mudou com sua mãe para Trench Town, uma favela de Kingston, conhecida como, cidade do esgoto.
Trench Town era assim chamada por ter sido construída sobre as valas que drenavam os dejetos da parte antiga de Kingston. A infância de Bob, não fora fácil, pois vivia constantemente sendo provocado pelos negros locais, por ser fruto da união de uma negra com um branco. Sua infância e juventude foram cheias de dificuldades.
Assim como o líder hindu Mohandas Karamchand Gandhi, intitulado o Mahatma Gandhi, e o protestante batista, Martin Luther King Jr entraram para a História por suas lutas pela liberdade, paz e a igualdade entre os povos, Bob Marley também possui uma trajetória de militância religiosa, política e social. Talvez, o que você tenha ouvido falar dele, é, que era um negro, cantor de Reggae, fumador de maconha, e que não escovava a cabeleira, cujos cabelos trançados formavam grossos canudos carregados de piolhos no estilo Dreads Looks. Mas, Bob Marley, foi muito mais do que esse estereótipo de cantor de Reggae, que ficou no imaginário popular. Não quero transformá-lo em um santo, pois não creio em canonização póstuma, mas simplesmente quero partilhar com você alguns aspectos da vida e dos últimos passos da “Lenda do Reggae”.
Deixe o preconceito de lado, e venha comigo! Não precisa acender um baseado, acenda sim a vontade de conhecer, alimentando a fogueira de seu conhecimento, pondo mais lenha no seu saber. Sim, venha comigo! Mesmo que você não goste de Reggae e de nenhuma outra música ou ritmo negro. Ao final desta viagem você descobrira sem rebordosa, que Bob morreu com o mesmo selo da promessa que temos. E, se acaso não tens ainda tal selo, ou nem saiba do que se trata, ao final do post, espero que a Graça de Deus, cujo Nome é "JÁH" (Sl.68.4) te ilumine de forma que possa passar a tê-lo.
Vejamos um pouco mais sobre a história desse poeta morto, ícone do Reggae mundial.
Como disse alguém, "morre o homem, nasce o mito", no caso de Bob, ficou a lenda, a "Eterna Lenda do Reggae" como é chamado! Pois, mesmo 29 anos após sua morte, fazendo jus ao título supracitado o cantor jamaicano, morto vitimado pelo câncer aos 36 anos, ainda hoje faz sucesso com suas músicas, vendendo milhares de cópias e influenciando as novas gerações.
Quem conhece as letras embaladas ao ritmo do Reggae, facilmente notará que Bob Marley possuía forte consciência política e religiosa. E nestes dois aspectos ele buscava influenciar a juventude por meio de suas canções.
Em 74, Bob passou maior parte de seu tempo em um estúdio, gravando o álbum “Natty Dread” que resultaria no sucesso de “No Woman no Cry”. “No Woman no Cry”, dentre outras canções foi a faixa mais executada e que embalou a juventude jamaicana no final da primeira metade dos anos 70. O sucesso foi tanto que em novembro de 74, Marley se tornou a maior estrela musical da ilha Jamaicana, começando também a despontar internacionalmente. .
Com o sucesso internacional cresceu a importância política de Bob Marley na Jamaica, onde a fé Rastafari expressada pela sua música alcançava forte ressonância na juventude dos guetos. Como forma de agradecimento ao povo da ilha, Bob decidiu dar um concerto aberto no Parque dos Heróis Nacionais de Kingston, em 5 de dezembro de 1976. A idéia era enfatizar a necessidade de paz nas ruas da cidade, onde as brigas de gangues estavam a causar confusão e mortes. Logo depois do anúncio do show, o governo convocou eleições para o dia 20 de dezembro. Isso deu nova força à guerra no gheto e, na tarde do concerto atiradores invadiram a casa de Bob e alvejaram-no. Na confusão os atiradores apenas feriram Marley, que foi levado a salvo às montanhas na cercania da cidade. Entretanto ele resolveu fazer o show de qualquer maneira e subiu ao palco para uma rápida apresentação em desafio aos seus agressores. Foi a última apresentação de Bob na Jamaica por oito meses. Logo após o show ele deixou o país para viver em Londres, onde gravou o seu próximo álbum, “Êxodus”.
O álbum Êxodus fulgura no cenário da música mundial como um dos maiores sucessos de Bob Marley.
A faixa-título, baseada no Êxodo do povo hebreu, é uma clara referencia ao back-to-africa, um movimento antigo na história da Jamaica. O back-to-africa pregava a volta dos escravos (ou seus descendentes) à África, o maior ícone do movimento foi o ativista negro Marcus Mosiah Garvey (1877 - 1840)
Além das músicas, o cantor jamaicano é dono de frases e pensamentos que muitas vezes são expressados por nós brasileiros, tais como: “Não cruze os braços diante de uma dificuldade, pois o maior homem do mundo morreu de braços abertos!". Sim! O homem que ele se refere na frase é Jesus Cristo, pois, o Rastafarismo possui em sua constituição, misturas de doutrinas e conceitos judaicos cristãos. Eles acreditam que são descendentes da Rainha de Sabá, a qual voltou grávida da visita ao rei e sábio judeu Salomão, cuja narrativa se encontra no capitulo 10 do primeiro livro de Reis.
Embora o texto bíblico não traga tal informação, existe uma lenda de que a rainha voltou para Sabá grávida e teve um filho chamado Menelik, o qual se tornou o primeiro rei etíope. Além do filho no ventre a rainha trouxe para sua terra doutrinas judaicas as quais foram mescladas a religião de seu povo. A tais doutrinas mais tarde juntaram-se conceitos do cristianismo etíope. Mas, a maior influência veio do judaísmo, pois o Rastafári que realmente prática sua religião, segue rigorosamente as dietas alimentares contidas em Levítico cap 11, sendo até mais radicais do que os judeus, pois são vegetarianos.
O uso da maconha está mais para ato sacramental, do que conseqüência de um vício. Eles consideram a "ganja" (maconha) como a "erva da sabedoria" e seu consumo, faz parte dos rituais religiosos de meditação. Buscam se embasar no livro de Gênesis 1:29, "E disse Deus ainda: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra". E entre outros textos citam o salmo 104:14 "Ele fez a grama crescer para o gado e a para o uso do homem, para que ele possa retirar a comida da terra."
Naturalmente, como componente religioso a erva fazia parte da vida de Marley, ele como seguidor do Rastafarismo era usuário de maconha. Devido a importância da erva no circulo religioso rastafariano, o jamaicano manifestava desejos capaz de causar arrepios e estranheza em qualquer cristão "ortodoxo". Ele disse: "Um dia vou morrer, afinal todos irão morrer, vão me enterrar, um fazendeiro muito louco vai me adubar e me transformar em um lindo pé de maconha. Só assim poderei saber que mesmo depois de morto continuarei fazendo sua cabeça!". O uso da erva não é uma prática de todos os seguidores do rastafarismo, não são todos que fumam maconha em seus cultos.
Imaginar um culto, onde a maconha é fumada ritualmente como "meio de graça" soa tão estranho para nós cristãos ocidentais, tal como, um cristão realmente abstêmio ao álcool como bebida tem como sendo heresia e pecado o uso do vinho com álcool por algumas igrejas cristãs na Santa Ceia. Isto apesar de Paulo no Capítulo 11 de primeira Coríntios deixar bem claro que, havia crentes embriagados na Santa Ceia, e, estavam quebrando a comunhão do Corpo de Cristo, não por tomarem vinho, mas pelo fato de que não esperavam os mais pobres chegarem, e antecipadamente comiam e bebiam a própria Ceia. Não fazendo apologia ao uso de drogas, mas tentando entender uma religião com preceitos diferentes da minha, eu penso que o uso da erva se aproxima do ritual do Santo Daime, muito difundido no Brasil e que faz uso do chá da Ayahuasca, na busca do contato com a divindade. O uso de outras drogas é proibido pela religião ou movimento Rastafári.
Polêmicas, baseados e vinhos a parte, a vida de Marley demonstra que ele buscava acima de tudo viver como um pacifista, que buscava a paz em meio aos conflitos raciais. Ele foi fortemente influenciado pelo militante dos direitos dos negros, Marcus Garvey, nascido em 1887, na Jamaica. Segundo, Gabriel Cavalcanti, Garvey defendia a volta dos negros à África e liderou diversos movimentos políticos tanto na Jamaica quanto nos Estados Unidos ao longo de sua vida. Apesar de ser considerado um dos pais do rastafarismo e pregar o retorno à África, sua luta era política e não religiosa.
Em suas canções Marley juntou as duas coisas, política e religião. Ele se tornou na Jamaica um ícone da luta contra o racismo. Por ser filho de um inglês branco, Bob buscava a comunhão entre os dois povos, por isso dizia: "A minha música não é contra os brancos. Eu jamais poderia cantar isso. A minha música é contra o sistema, que ensina você a viver e a morrer."-"Não preciso ter ambições. Só tem uma coisa que eu quero muito: que a humanidade viva unida... negros e brancos todos juntos." Na sua luta contra o sistema racista, Bob Marley combatia ardorosamente o racismo, pois acreditava que: "Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, sempre haverá guerra." "Acredito na liberdade para todos não apenas para os negros.”
Como ícone que se tornou, pretendia com seus discursos levar o povo jamaicano e a outros ouvintes de suas músicas á reflexão e mobilização social. Sua fala era sempre carregada de senso político e religioso, de seus lábios saíram perolas tais como: "É melhor atirar-se em luta, em busca de dias melhores, do que permanecer estático como os pobres de espírito, que não lutaram, mas também não venceram. Que não conheceram a glória de ressurgir dos escombros. Esses pobres de espírito, ao final de sua jornada na Terra, não agradecem a Deus por terem vivido, mas desculpam-se diante dele, por simplesmente, haverem passado pela vida.”
Ainda hoje, 29 anos após sua morte centenas de milhares de pessoas negras e brancas gostam de suas músicas. E muitos dos seus pensamentos, ainda hoje são expressos por pessoas que nem se quer conhecem sua história, sua religiosidade e militância política.
O Reggae, ritmo popularizado por Marley tem influenciado inclusive bandas evangélicas, tais como a californiana Christafari, uma das maiores bandas de reggae do cenário gospel mundial, e que já realizou várias turnês pelo Brasil.
Contudo, o estranho supracitado desejo expressado por Bob Marley de se tornar "um pé de maconha" após a morte (transmigração?) não se realizará. Pois, segundo as Escrituras, ele ressuscitará como justo dentre os mortos. Isto se deve a um capítulo da vida do ícone do Reggae mundial, que a maioria das pessoas, inclusive muitos de seus fãs desconhecem. Bob Marley, ressuscitará para a vida eterna, num corpo glorificado, pois um ano antes de morrer, convertera-se ao cristinismo etíope, entregando-se a Jesus Cristo e adotando um novo nome: Berhane Selassie.
Seu batismo cristão ocorrera no dia 4 de novembro de 1980 numa Igreja Ortodoxa Etíope. Segundo, Tommy Cowan, empresário de Bob, no ato de sua conversão no período em que lutava contra um câncer, Bob ficou 45 minutos chorando e por 3 vezes exclamou gritando:"Jesus my Savior, Jesus Christ!" ("Jesus meu Salvador, Jesus Cristo!")
Com a vida entregue a Cristo, o cantor jamaicano veio a morrer em um hospital em Miami no dia 11 de maio de 1981. Seu corpo foi enterrado com honras nacionais em Kingston, depois de uma cerimônia que contou com a presença de milhares de pessoas. Foi sepultado sob ritos próprios da Igreja Ortodoxa, com a sua Bíblia e sua guitarra Gibson!
Rita Marley, a viúva do cantor, diz que em seu leito de morte, agonizando de dor, Bob com a mão estendida para o céu, clamou: "Me leve Senhor Jesus Cristo". Tal atitude do cantor deixou sua esposa confusa, pois devido a religião rastafári, ela esperava ouvir o marido clamando por Selassie ao invés de Jesus Cristo.
Dois dos maiores sucessos do rei do Reggae ainda nos dias de hoje são: No Woman No Cry, que foi traduzida por Gilberto Gil com o titulo de "Não Chores Mais" e Redemption Song, traduzida por "Canção de Redenção". Embora não conhecesse plenamente a Deus, (se é que alguma religião pode dar tal conhecimento), na letra da canção abaixo citada, podemos notar muitas semelhanças com as denúncias dos profetas judeus, além de uma clara fé em Deus.
Redemption Song (Canção da Redenção)
Velhos piratas, é, eles me roubaram
Me venderam para os navios mercantes
Minutos depois eles me jogaram no porão
Mas minha mão foi feita forte
pela mão do Todo-Poderoso
Seguimos nessa geração
Triunfantemente.
Você não vai ajudar a cantar
Essas canções de liberdade?
Porque é tudo que já tive:
Canções de redenção
Canções de redenção
Emancipem-se da escravidão mental;
Ninguém além de nós mesmos pode libertar nossa mente.
Úh! Não tenha medo da energia atômica,
Porque nenhum deles pode parar o tempo
Por quanto tempo vão matar nossos profetas,
enquanto ficamos parados olhando?
É, alguns dizem que é só uma parte disso:
Temos que completar o livro.
Você não vai ajudar a cantar
Essas canções de liberdade?
Porque é tudo que já tive:
Canções de redenção:
Essas canções de liberdade,
Canções de liberdade.
Conclusão.
Como citei na introdução, Bob Marley possuía o selo da promessa, assim como você e eu possuímos. Além disso, o que se pode notar na história de vida do cantor é a presença de fome e sede por justiça. Ainda que tateasse buscando a Deus em meio a sua exótica religião, Bob, já antes de se confessar cristão etíope, movido pela virtudes que devem nortear o cristão atuava em questões sociais, buscando com o dom que tinha construir a paz. Claramente, nesses aspectos ele também se igualava a todos os cristãos que firmados no Evangelho, comprometem-se com a transformação da sociedade, por meio de uma fé engajada, encarnada e vivencial que busca a justiça e a paz! Penso que são para tais pessoas que Jesus faz as seguintes promessas no Sermão do Monte: "Felizes os que têm fome e sede de Justiça: eles serão saciados" "Felizes os que agem em prol da paz; eles serão chamados filhos de Deus". (TEB - Mt. 5. 6 a 9)
Portanto, se realmente o Rei do Reggae teve um encontro com Cristo, e o recebeu, Jesus deu lhe o poder de ser feito filho de Deus, pois acreditou no seu Nome, sendo digno de receber a graciosa promessa contida em João 1. 12: "Mas aos que o receberam aos que crêem em seu nome, ele deu o poder de se tornarem filhos de Deus. Esses não nasceram do sangue, nem de um querer de carne, nem de um querer de homem, mas de Deus."
Bob Marley, a luz destes textos certamente se encontrará na Casa do Pai, onde Jesus nos foi preparar morada (TEB - Jo 14. 1 a 4), pois o Senhor disse, "Todos os que o Pai me dá viram a mim, e aquele que vem a mim eu não o rejeitarei" (TEB - Jo 6.37). Assim sendo, imagino que lá na glória entre os louvores cantados pela Igreja Triunfante, teremos um maravilhoso louvor no estilo e ritmo Reggae, mais do que nunca vou me sentir em casa! Aleluia!!.
Oremos e preguemos o Evangelho, para que assim como o Rei do Reggae teve um encontro com Cristo, ainda que tenha sido no seu leito de morte, o mesmo possa ocorrer com as gerações que ainda são influenciadas pela música dele. Que assim como aconteceu com ele, seus fãs possam saber e aceitar que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo, e invocá-lo. Que o povo jamaicano e todos os outros povos possam ser alcançados pela graça de Deus manifesta em Cristo Jesus, pois: Não há nenhuma salvação, a não ser nele; pois não há sob o céu nenhum outro nome oferecido aos homens, que seja necessário a nossa salvação. (TEB - At. 4.12)
Pr. José do Carmo da Silva "Zé do Egito"
Igreja Metodista em Fátima do Sul - MS
Nenhum comentário:
Postar um comentário